A exemplo do que aconteceu na Câmara Municipal de Uberaba (CMU), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a bancada do PMDB, mesmo partido do presidente Michel Temer, decidiu se manifestar publicamente contra a reforma da Previdência proposta pelo principal líder do partido.
Em Uberaba, os vereadores do PMDB, Luiz Dutra, Rubério Santos e Thiago Mariscal, assinaram manifesto contra o projeto de reforma da Previdência Social. Parlamentares de partidos da base aliada de Temer, como PR e PSD, também assinaram o documento.
Logo depois de manifestações populares contra o texto tomarem conta do país, os deputados da Assembleia Legislativa divulgaram nota de “repúdio” à “açodada” Proposta de Emenda à Constituição 286/2016. “Concordam os deputados que, no momento em que a PEC avança sobre os direitos sociais e os desgasta, não poderia a bancada mineira do partido na ALMG eximir-se do dever de recordar os princípios fundamentais do partido e exigir a abertura de ampla discussão sobre a real situação da Previdência Social”, diz a nota.
Os parlamentares estaduais pedem que sejam tornadas públicas as contas da Previdência e que o assunto seja discutido amplamente, “de modo a respeitar e garantir os direitos sociais duramente conquistados”.
Na nota pública, os deputados estaduais recorrem à lembrança de Ulysses Guimarães para afirmar que a Previdência “constitui-se de um conjunto de direitos sociais, entre eles o da aposentadoria, que foram de profundo exame em 1988 e que, aprovados, contribuíram para reconhecer como cidadã a Constituição Federal desde então em vigor no país”. Eles recordam que o texto foi aprovado sob a liderança de Ulysses.
Sobre o fato de a bancada contrariar a proposta de Temer, o líder da maioria na Assembleia, deputado Tadeuzinho Leite (PMDB), diz que, “independentemente de quem apresentou, a proposta é ruim para o país, na visão da bancada estadual".