Somente para manter o atual valor da passagem, as empresas apresentaram proposta de subsídio superior a R$30 milhões

Prefeita Elisa Araújo diz que a busca da administração é por alternativas de financiamento que garantam a sustentabilidade do sistema. (Foto/Divulgação)
As concessionárias do transporte coletivo de Uberaba protocolaram junto à Secretaria de Mobilidade Urbana a planilha que aponta necessidade de reajuste de 68,9% na tarifa de ônibus. O pedido ainda está em análise técnica, conforme informado pela coluna FALANDO SÉRIO, do Jornal da Manhã. O tema ganhou repercussão após entrevista da prefeita Elisa Araújo (PSD) ao programa De Frente pra Notícia.
Durante a entrevista, a chefe do Executivo relembrou que assumiu a Administração Municipal em 2021, em meio à pandemia, quando houve queda acentuada no número de passageiros. “Me lembro quando eu entrei em 2021, em plena pandemia, as pessoas mal andavam de ônibus, porque estavam se preservando. De lá para cá, diminuiu o número de passageiros porque a comunidade se rearranjou, reduziu o fluxo e escolheu transportes alternativos. Isso prejudicou o sistema como um todo”, afirmou.
Segundo a prefeita, a redução na demanda impactou diretamente o equilíbrio financeiro das concessionárias. Ela explicou que, no ano passado, o município destinou cerca de R$16 milhões em subsídio para evitar aumento da tarifa, mas o valor não teria sido suficiente. Para 2026, a estimativa apresentada pelas empresas ultrapassa R$30 milhões para manter o preço atual sem reajuste.
“Aumentar não é o desejo da gente. A gente quer manter ou, se possível, até diminuir o valor da passagem, porque sabe que o trabalhador já ganha pouco e muitas vezes precisa tirar do próprio salário para andar de transporte coletivo”, declarou.
A prefeita ressaltou que a busca da administração é por alternativas de financiamento que garantam a sustentabilidade do sistema. Ela defendeu maior participação do governo federal no custeio do transporte público urbano, tema que, segundo informou, está em debate nacional. “O sistema não se sustenta sem dinheiro. Existe uma discussão no governo federal para destinar recursos aos municípios. O nosso caixa vai sangrando a cada ano”, disse.
Elisa comparou a situação local com a de outras cidades de porte semelhante, citando que municípios como Uberlândia destinam valores ainda mais elevados ao subsídio do transporte coletivo, também enfrentando dificuldades.
De acordo com Elisa, a Administração Municipal segue em negociação com as concessionárias e com parlamentares em busca de uma solução definitiva. Enquanto a planilha de custos permanece sob análise da Secretaria de Mobilidade Urbana, o impasse sobre o possível reajuste da tarifa continua sem definição.