Servidores pleiteavam aumento do vale-alimentação de R$500 para R$650, sob o argumento da grave situação financeira da PMU, principalmente pelo atraso nos repasses do Estado
André Santos
Diretoria do sindicato se reuniu ontem com secretários municipais, entre eles o de Finanças, Wellington Fontes
Em nova rodada de negociação ontem com sindicalistas, o governo municipal voltou a negar reajuste no tíquete-alimentação do funcionalismo este ano. A administração justificou que o aumento não seria possível por causa da situação financeira, principalmente devido aos atrasos em repasses do governo estadual. A categoria pleiteava aumento do tíquete de R$500 para R$650. A reivindicação foi feita na campanha salarial em março, mas já havia sido negada pela Prefeitura na época.
Na nova roda de negociações, o secretário municipal de Finanças, Wellington Fontes, justificou que a situação é preocupante, visto que para completar a folha de pagamento foram necessários recursos da Fonte 100, ou seja, recursos próprios da Prefeitura, pois há dois meses nem o recurso do Fundeb foi repassado pelo governo estadual à Prefeitura.
Levantamento da Secretaria Municipal de Finanças divulgado esta semana aponta dívida de R$63 milhões do Estado para a Prefeitura. A maior parte é referente a repasses atrasados para Saúde (75%) e Educação (18%).
Já o titular da Administração, Rodrigo Vieira, manifestou que a prioridade é pagar o salário em dia e que outros pontos da negociação terão avanço, como, por exemplo, o convênio com o Sest/Senat para isenção da taxa de renovação da carteira de motorista profissional, liberação das férias-prêmio e reajuste no percentual pago ao servidor de carreira que assume cargo comissionado.
O presidente do SSPMU (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Uberaba), Luís Carlos dos Santos, lamenta o posicionamento adotado pela Administração. Entretanto, ele pondera que a situação revelada pelos secretários causa alarme, pois a possibilidade de atraso no pagamento a partir de outubro foi admitida na reunião. Santos posiciona que o sindicato vai acompanhar a situação dos repasses do Estado para a Prefeitura.
O líder sindical afirma ainda que o Executivo sinalizou analisar a concessão do aumento do tíquete se o Estado regularizar os repasses. No entanto, Santos declara que não foi firmado um compromisso de garantia do acréscimo no benefício.