Município anuncia atualização do protocolo de atendimento para tentar agilizar a transferência de pacientes das unidades para hospitais
Enerson Cleiton/PMU
Iraci Neto, secretário de Saúde, se reuniu com a equipe técnica ontem, quando foram repassadas informações a respeito da ação da PMU nas UPAs
Após pente-fino nas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento), Secretaria Municipal de Saúde identificou falhas no processo para solicitação de vagas em hospitais e anuncia atualização no protocolo de atendimento para tentar agilizar a transferência de pacientes.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Iraci Neto, a equipe técnica realizou um levantamento nas últimas semanas e verificou os problemas principalmente em relação às informações repassadas para a solicitação da vaga hospitalar. “Já identificamos equívocos ou falhas nesse processo. Isso gera instabilidade e falta de qualidade da assistência nos encaminhamentos, tanto no preenchimento de laudos quanto no fluxo do sistema, que fica um pouco frágil quanto a essas informações”, acrescenta.
Além disso, o titular da pasta confirma que também foram observados casos de internações hospitalares solicitadas sem necessidade, o que sobrecarrega o sistema e pode acarretar na demora de atendimento de pacientes mais urgentes. “Foi constatado que isso era um ponto significativo para o problema [de demora na liberação de leitos]”, declara e ressalta que qualidade e segurança do diagnóstico é importante para otimizar o fluxo de assistência.
Para tanto, Iraci afirma que um protocolo atualizado começará a ser utilizado a partir da próxima semana, desde o momento da triagem, na chegada do paciente à UPA. O objetivo é melhorar a informação aos órgãos de regulação e aos hospitais, para maior agilidade na assistência.
Por outro lado, o secretário posiciona que existem gargalos gerados por causa da judicialização da Saúde. Segundo ele, as internações determinadas por mandado judicial podem beneficiar pacientes com transferência em prazo curto, mesmo sem haver urgência. “Se a Justiça solicita a transferência em 24 horas ou até 48 horas, esses casos acabam se transformando em uma transferência de vaga zero. Mas, na maioria das vezes, esse paciente não está caracterizado como vaga zero. Aí toma o espaço de quem realmente está. Precisamos discutir isso com o Ministério Público”, reforça.
As medidas para agilizar a regulação de leitos hospitalares começaram a ser discutidas ontem com dirigentes do Hospital de Clínicas, que recebe o maior número de encaminhamentos de pacientes das UPAs. Também participaram representantes da Superintendência Regional de Saúde, responsável pela Central de Regulação, e equipe da Pró-Saúde. O secretário explica que a situação será tratada com os demais hospitais e prestadores de serviço da cidade para formatar uma ação em curto prazo para aprimorar o fluxo das transferências.