A audiência realizada nesta terça-feira (23) pela Justiça de Uberaba na ação criminal movida por Eduardo Cunha (Republicanos) contra o ex-deputado federal Franco Cartafina (Podemos) e o vereador Caio Godoi (PP) terminou sem acordo entre as partes e sem definição sobre o mérito do caso. O processo, que envolve acusações de calúnia, difamação e injúria relacionadas a publicações nas redes sociais, segue em tramitação.
Radicado em Uberaba e articulando seu retorno à política eleitoral, Cunha compareceu ao Fórum para prestar depoimento na condição de autor da ação. Na sequência, Franco Cartafina e Caio Godoi também foram ouvidos pela Justiça sobre o conteúdo questionado no processo.
A ação foi motivada por um vídeo publicado em março nas redes sociais. Segundo a defesa de Cunha, o material utilizou reportagens e imagens de episódios passados de sua trajetória política de forma a causar prejuízos à sua reputação. Já os posicionamentos da defesa dos acusados foram apresentados durante a audiência por meio da contestação formal ao processo.
Nos autos, Cunha argumenta que as referências feitas à sua passagem pela Operação Lava Jato desconsideram decisões posteriores do Supremo Tribunal Federal (STF), que anularam processos aos quais ele respondeu. O ex-deputado sustenta que a associação ao tema tem potencial para afetar sua imagem pública, especialmente em Minas Gerais, onde pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.
Além da responsabilização criminal dos envolvidos, a ação também prevê a possibilidade de um acordo para reparação dos supostos danos alegados por Cunha, com proposta de composição civil fixada em R$ 50 mil.
A ação ocorre em um momento em que Eduardo Cunha busca reconstruir sua trajetória política em Minas Gerais. Embora tenha construído sua carreira eleitoral no Rio de Janeiro, onde exerceu sucessivos mandatos como deputado federal e chegou à presidência da Câmara dos Deputados, ele tem intensificado sua presença em Uberaba nos últimos anos, cidade onde mantém residência e atividades empresariais.
Cunha ganhou projeção nacional como presidente da Câmara dos Deputados e posteriormente se tornou um dos principais alvos da Operação Lava Jato. Condenações impostas contra ele na operação foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que entendeu que os processos deveriam tramitar em outra esfera da Justiça.