FALTA DE DIÁLOGO

Vereadora suplente critica a falta de transparência na Educação local

Dandara Aveiro
Publicado em 04/02/2026 às 22:11
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Em meio às discussões sobre a devolução do prédio da Escola Municipal Uberaba e a possível instalação do Colégio Sesc no local, a vereadora suplente Silvana Elias (PDT) criticou, em entrevista ao programa Pingo do J, a falta de transparência e de planejamento da Prefeitura de Uberaba, apontando insegurança para a comunidade escolar, ausência de respostas efetivas às pautas da educação e falhas no diálogo entre o Poder Executivo, o Legislativo e a população. A parlamentar, que deixa a atividade hoje com o retorno da titular, Rochelle Bazaga, disse ter sido surpreendida com a informação de que a Fecomércio negociava há cerca de dois anos a retomada do prédio, sem que o tema fosse amplamente discutido com a comunidade escolar.

Segundo Silvana, a ausência de diálogo e de informações claras contribuiu para a tensão vivida por professores, pais e alunos. “Essa falta de transparência, essa obscuridade, é que trouxe tanta insegurança, tanta revolta, tanto transtorno”, afirmou, ao defender que processos que envolvem grande número de pessoas deveriam ser conduzidos com mais clareza desde o início.

A vereadora também criticou a condução do debate sobre o futuro da Escola Uberaba, que atende cerca de 1.200 alunos. Para ela, o anúncio da possível devolução do prédio foi feito sem a apresentação de soluções concretas. “Sai na mídia a informação de que teria que entregar o prédio, mas não sai nenhuma solução. Não se discutiu”, disse.

À Rádio JM, a vereadora relatou que realizou levantamentos por conta própria sobre a estrutura do imóvel atualmente utilizado pela escola e avaliou que alternativas poderiam ter sido planejadas ao longo dos últimos dois anos. “Eu não sou da área de engenharia, mas ele tem condições. Daria para fazer uma ampliação, construir um segundo pavimento”, afirmou, ao citar também a possibilidade de permuta de áreas ou negociações mais objetivas com antecedência.

A parlamentar ampliou as críticas para outras áreas da educação municipal, citando a paralisação de obras de Centros Municipais de Educação Infantil (Cemeis) há cerca de cinco anos e a ausência de respostas convincentes sobre o andamento desses projetos. “Os Cemeis que deixamos, com obras começadas, com ordens de serviço assinadas e com recursos aprovados pelo FNDE, ainda não foram inaugurados”, declarou, ao apontar falhas recorrentes no planejamento das políticas educacionais.

Silvana também avaliou a relação entre o Poder Executivo e o Legislativo, afirmando que, embora seja bem recebida por secretários, as respostas às demandas apresentadas são, em geral, evasivas. “Você leva a demanda, mas não tem uma resposta satisfatória”, disse. Segundo ela, a Câmara deveria ter uma relação mais próxima e investigativa com o Executivo, ainda que os poderes sejam independentes.

Sobre propostas apresentadas à Secretaria Municipal de Educação, Silvana afirmou que nenhuma foi acolhida de forma concreta. Ela citou pedidos de atenção à alfabetização, à educação em tempo integral e à ampliação de vagas em creches e berçários. “Eu pedi atenção à escola de tempo integral, eu sei que reduziram vagas. Eu pedi atenção à alfabetização, eu também não vi nenhuma mobilização em relação a isso. As respostas vieram formais, tudo igual deveria ser, mas sem algo efetivamente concreto. Por exemplo, vagas, eu pedi que aumentasse vagas de berçário, porque as trabalhadoras que trabalham de manhã e à tarde, o dia inteiro, elas não têm onde deixar um bebê de oito meses, de seis meses, quando termina a licença-maternidade. E, pelo contrário, eu vi fechando’, finalizou.

As declarações ocorrem em meio ao debate público sobre o futuro da Escola Municipal Uberaba. Em audiência pública recente, foi informado que a Fecomércio comunicou a Prefeitura há cerca de dois anos sobre a intenção de retomar o prédio para instalação do Colégio Sesc. A devolução, inicialmente prevista para julho, pode ser prorrogada até dezembro, enquanto a Administração Municipal ainda não apresentou oficialmente uma solução definitiva para realocar os alunos.

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