SEM SUCO

Cansou, perdeu libido e força? Nem sempre é caso de testosterona; entenda

Médico alerta que sintomas precisam ser investigados antes de qualquer reposição hormonal

Débora Meira
Publicado em 08/09/2026 às 14:14
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Cansaço, queda da libido, perda de força e dificuldade para ganhar massa muscular podem ter diferentes causas e, isoladamente, não significam que uma pessoa precise fazer reposição de testosterona. Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o médico Arnaldo Júnior explicou que a indicação do tratamento deve considerar o conjunto de sintomas, os exames e o histórico de saúde do paciente. 

Segundo o médico, um dos principais erros é transformar o resultado de um exame em uma indicação automática de tratamento. Para ele, a avaliação precisa considerar o paciente de forma individualizada. “Não é para quem quer, é para quem precisa. Esse é o primeiro ponto. A gente não trata papel, a gente trata a pessoa”, afirma. 

Arnaldo Júnior destacou que sintomas como cansaço, alterações no sono, redução da libido e perda de massa muscular podem estar relacionados a diferentes condições. Por isso, antes de iniciar uma reposição hormonal, é necessário investigar o quadro e verificar se existe, de fato, deficiência de testosterona que justifique o tratamento. 

A preocupação aumenta quando o hormônio é utilizado por pessoas que buscam principalmente resultados estéticos. De acordo com o médico, homens que frequentam academias podem recorrer à testosterona por conta própria na tentativa de ganhar músculos mais rapidamente, sem considerar os riscos envolvidos. “Ele vai ter que se dedicar à alimentação, ao sono, ao treino. E, às vezes, as pessoas não querem passar por todo esse processo. Elas pegam um atalho e vão para a questão das medicações”, explica. 

O médico também chamou a atenção para a procedência dos produtos utilizados sem acompanhamento profissional. Segundo ele, quando a testosterona é adquirida fora de canais confiáveis, o paciente pode não ter segurança sobre a composição e a concentração do produto. “Se ele está aplicando uma testosterona, vai lá saber de onde veio aquilo. Será que aquilo realmente tem testosterona? E a dose, será que é adequada?”, questiona. 

A reposição hormonal, conforme explicou o médico, não deve ser encarada como um tratamento padronizado para todos os pacientes. Antes da prescrição, é necessário avaliar possíveis contraindicações e acompanhar a resposta do organismo. “É um hormônio, é uma medicação. Se a pessoa tem uma contraindicação, então talvez eu tenha que achar outro meio de conseguir fazer aquela reposição”, afirma. 

O problema, segundo Arnaldo, está principalmente no uso sem orientação e acompanhamento profissional. “Se é feito desorientadamente, sem nenhum tipo de exame, o risco aumenta, e aumenta muito”, alerta. 

Ele também reforçou que a reposição hormonal não deve ser utilizada como uma espécie de receita pronta para melhorar o desempenho físico ou a aparência. “Não é receita de bolo. Não é o que serviu para sua vizinha que, muito provavelmente, vai servir para você. São pessoas diferentes, pessoas que tiveram coisas diferentes durante a vida e que têm que ser tratadas de forma individualizada”, completa. 

Para o médico, a busca por saúde precisa vir antes da preocupação exclusivamente estética. Sono adequado, alimentação equilibrada e atividade física continuam sendo importantes, inclusive para quem apresenta alterações hormonais. 

A avaliação individual, portanto, é fundamental para verificar se existe indicação para reposição de testosterona e definir a conduta mais adequada para cada paciente.

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