FORMIGUINHAS

Adoçantes podem alterar metabolismo e afetar filhos e netos, aponta estudo

Publicado em 08/09/2026 às 11:42
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O consumo prolongado de adoçantes artificiais pode provocar alterações no metabolismo que permanecem nas gerações seguintes, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Chile. A pesquisa, publicada na revista científica Frontiers in Nutrition, identificou mudanças relacionadas ao controle da glicose e ao funcionamento do microbioma intestinal em camundongos.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que os resultados foram observados em animais e não significam que os mesmos efeitos ocorram em seres humanos. O estudo aponta uma possível relação que ainda precisa ser investigada.

Para realizar o experimento, 47 camundongos machos e fêmeas foram divididos em grupos que receberam água pura ou água com sucralose ou estévia em concentrações consideradas compatíveis com o consumo humano. Depois, os animais foram reproduzidos por duas gerações, que não receberam os adoçantes e consumiram apenas água.

As gerações seguintes foram submetidas a testes de tolerância à glicose, utilizados para avaliar alterações no controle do açúcar no sangue e possíveis sinais de resistência à insulina, um fator associado ao desenvolvimento do diabetes.

Os pesquisadores também analisaram amostras fecais para verificar mudanças nas bactérias do intestino e na produção de ácidos graxos de cadeia curta, substâncias produzidas pelo microbioma que desempenham funções importantes no organismo.

Efeitos diferentes entre sucralose e estévia

Os resultados variaram de acordo com o tipo de adoçante e também entre as gerações.

Na primeira geração, os pesquisadores identificaram piora na tolerância à glicose entre os filhotes machos dos camundongos que haviam consumido sucralose.

Na geração seguinte, alterações nos níveis de glicose foram observadas entre os descendentes machos dos animais expostos à sucralose e entre as fêmeas descendentes dos camundongos que consumiram estévia.

Os dois adoçantes também provocaram alterações no microbioma intestinal, com redução na produção de determinadas substâncias consideradas benéficas pelas bactérias. Segundo os pesquisadores, essas mudanças permaneceram entre os descendentes.

A sucralose apresentou os efeitos mais intensos e duradouros. O estudo relacionou o adoçante ao aumento de bactérias consideradas prejudiciais, à ativação de genes associados à inflamação e a alterações em genes relacionados ao metabolismo, com efeitos identificados ao longo de duas gerações.

No caso da estévia, as alterações foram consideradas mais leves e não permaneceram além da primeira geração em alguns dos parâmetros analisados.

Possível transmissão de alterações

A equipe investigou ainda alterações na expressão de genes relacionados à inflamação, à barreira intestinal e ao metabolismo do fígado e do intestino.

A hipótese levantada pelos pesquisadores é de que mudanças provocadas pelo consumo dos adoçantes possam envolver mecanismos epigenéticos, capazes de alterar a maneira como determinados genes funcionam sem modificar a sequência do DNA.

“Isso não significa que os adoçantes sejam os responsáveis por essas tendências, mas levanta a questão de se eles influenciam o metabolismo de maneiras que ainda não compreendemos totalmente”, afirmou Francisca Concha Celume, autora principal do estudo e pesquisadora da Universidade do Chile.

A pesquisadora ressalta que o objetivo não é provocar alarme, mas estimular novas pesquisas sobre os efeitos de longo prazo dessas substâncias.

Resultados ainda não podem ser aplicados diretamente a humanos

Apesar dos resultados, os próprios autores destacam que os efeitos observados em camundongos não podem ser considerados equivalentes aos que ocorreriam em seres humanos.

A pesquisa foi realizada com uma amostra pequena de animais e avaliou especificamente sucralose e estévia. Por isso, são necessários novos estudos para determinar se mecanismos semelhantes acontecem em pessoas e quais seriam os possíveis impactos do consumo prolongado de adoçantes.

Os pesquisadores defendem que, diante dos resultados, o consumo moderado desses produtos seja considerado enquanto novas evidências científicas são produzidas.

A principal questão levantada pelo estudo, portanto, não é que os adoçantes comprovadamente causem diabetes ou alterações metabólicas em humanos, mas que seus efeitos biológicos de longo prazo podem ser mais complexos do que se imaginava e merecem investigação.

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