
As alterações hormonais dessa fase também podem influenciar a forma como o corpo distribui a gordura (Foto/Ilustrativa)
A menopausa provoca mudanças no organismo que vão além das alterações menstruais e de sintomas como ondas de calor e irritabilidade. As alterações hormonais dessa fase também podem influenciar a forma como o corpo distribui a gordura, favorecendo o acúmulo na região abdominal e tornando mais difícil perder a barriga. Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, a nutricionista Adriele Schultz explicou como alimentação e atividade física podem ajudar a lidar com essas mudanças.
Segundo a nutricionista, durante o período que antecede e acompanha a menopausa, as alterações hormonais podem favorecer uma maior concentração de gordura na região abdominal. “A gente começa a ter uma mudança hormonal muito grande. E essa mudança hormonal vai fazer com que essa gordura seja mais direcionada para a região abdominal”, explica.
A mudança na composição corporal também pode vir acompanhada de alterações na rotina. Sono prejudicado, irritabilidade e redução da disposição podem interferir nos hábitos alimentares e na prática de exercícios, criando um cenário que dificulta o controle do peso.
Por isso, segundo Adriele, não é indicado olhar apenas para a balança. A composição corporal também precisa ser acompanhada, principalmente porque a preservação da massa muscular se torna uma preocupação maior com o avanço da idade. “Depois dos 40, 50 anos, a gente precisa começar a se preocupar muito com a preservação da massa muscular. Não é só emagrecer. É emagrecer preservando músculo”, afirma.
Nesse processo, a atividade física tem papel importante. A nutricionista recomenda combinar exercícios aeróbicos com treinamento de força. Caminhada, corrida ou outras atividades cardiovasculares podem contribuir para o gasto energético, enquanto a musculação ajuda na manutenção e no ganho de massa muscular. “Não adianta fazer só aeróbico. A gente precisa fazer musculação, precisa trabalhar força, porque é isso que vai ajudar a preservar essa massa muscular”, explica.
A orientação é especialmente relevante porque a perda de massa muscular pode acompanhar o avanço da idade. Por isso, para quem busca emagrecer durante ou após a menopausa, o objetivo não deve ser apenas diminuir o peso, mas melhorar a composição corporal.
A alimentação também deve ser ajustada às necessidades de cada mulher. A ingestão adequada de proteínas é importante para a manutenção da massa muscular, mas não deve ser analisada de forma isolada. Carboidratos, gorduras, fibras, vitaminas e minerais também fazem parte de uma alimentação equilibrada.
Além disso, a nutricionista destaca que não existe uma estratégia única capaz de eliminar a gordura abdominal. A quantidade e a qualidade dos alimentos, a rotina de exercícios, o sono e as características individuais precisam ser considerados. “Cada pessoa é uma pessoa. Não existe uma dieta que vai funcionar para todo mundo. A gente precisa entender o que aquela mulher está passando, como está a alimentação, como está o sono, como está a atividade física”, afirma.
Outro ponto de atenção é a busca por soluções rápidas para o emagrecimento. Para Adriele, especialmente nessa fase da vida, o objetivo não deve ser apenas reduzir o peso, mas preservar a saúde e a massa muscular ao longo do processo.
A menopausa pode trazer mudanças na distribuição da gordura e tornar o controle do peso mais desafiador, mas isso não significa que o aumento da gordura abdominal seja inevitável. Alimentação adequada, exercícios de força e aeróbicos, sono de qualidade e acompanhamento individualizado podem contribuir para uma composição corporal mais saudável durante essa fase.