ESTIMATIVA

Não é só gordura: corpo desproporcional pode esconder lipedema

Doença provoca acúmulo maior nas pernas, pode causar dor e costuma demorar anos para ser diagnosticada

Débora Meira
Publicado em 06/09/2026 às 16:05
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Cerca de 15% das mulheres no mundo têm diagnóstico de lipedema (Foto/Divulgação)

Cerca de 15% das mulheres no mundo têm diagnóstico de lipedema (Foto/Divulgação)

Cerca de 15% das mulheres no mundo têm diagnóstico de lipedema. A estimativa foi apresentada pelo médico Pedro Pereira durante entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM. Apesar da frequência, a doença ainda é subdiagnosticada e o diagnóstico pode levar, em média, sete anos. 

O lipedema é caracterizado principalmente pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente nas pernas. Segundo Pereira, um dos sinais mais perceptíveis é quando a mulher apresenta o tronco mais fino, mas concentra maior volume nos quadris e nas pernas. “Geralmente, aquela mulher que você vê a cinturinha bem fininha, ela é mais magra mesmo. Quando chega quadril e pernas, você vê que existe uma desproporcionalidade. Essa é a característica visual principal do lipedema”, explica. 

Além da diferença de proporção, a doença pode provocar sintomas que ajudam na identificação. Pereira destaca a presença de dor e a facilidade para desenvolver hematomas: “Dor ao toque. É muito importante esse sinal. Às vezes uma dor espontânea, às vezes a dor ao toque. Hematomas”, ressalta. 

O médico afirma que mais de 60% das mulheres com lipedema têm histórico familiar da doença. A condição pode aparecer em diferentes fases da vida e, segundo Pereira, puberdade, gravidez e climatério estão entre os períodos em que as alterações hormonais podem favorecer o surgimento ou a piora dos sintomas. “Se a mulher já tinha aquele lipedema, a piora é muito provável”, afirma o médico sobre o climatério. 

O lipedema pode existir independentemente da obesidade. Uma mulher pode ter a doença sem estar acima do peso ou apresentar as duas condições simultaneamente. “Pode haver lipedema com obesidade? Pode. Pode haver lipedema sem obesidade? Pode”, explica Pereira. 

A condição também pode ser confundida com o linfedema, mas há diferenças. No lipedema, o aumento costuma ocorrer de maneira simétrica, enquanto o linfedema pode atingir um lado mais do que o outro. Além disso, mãos e pés geralmente são preservados no lipedema. 

A identificação correta depende da avaliação dos sinais, do histórico da paciente e da diferenciação em relação a outras condições. O diagnóstico tardio, segundo o médico, ainda é um dos principais desafios para mulheres com a doença. 

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