Especialista explica dúvidas comuns sobre carboidrato, fritura, óleo de coco, vitaminas e castanhas
A alimentação do dia a dia é cercada por dúvidas sobre o que pode ou não fazer parte do cardápio (Foto/Divulgação)
A alimentação do dia a dia é cercada por dúvidas sobre o que pode ou não fazer parte do cardápio. Pão, torrada, fritura, vitaminas, suplementos e castanhas estão entre os alimentos que costumam ser associados a restrições ou benefícios exagerados. Para a nutricionista Adriele Schultz, mais importante do que eliminar determinados itens é observar a quantidade, a frequência e o equilíbrio da alimentação.
Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, a nutricionista esclareceu algumas das principais dúvidas relacionadas à alimentação e destacou que não existe, isoladamente, um alimento capaz de determinar ganho ou perda de peso.
Um dos questionamentos mais comuns é se a torrada seria mais saudável do que o pão. Segundo Adriele, não há diferença significativa entre os dois. “A torrada nada mais é do que o pão torrado. Não vai fazer diferença você comer o pão ou comer a torrada. É o mesmo pão, só que passou por um processo de aquecimento”, explica.
A nutricionista também esclarece que retirar o miolo do pão não representa uma grande diferença nutricional. “Às vezes a pessoa fala: ‘vou tirar o miolo para emagrecer’. Não vai fazer tanta diferença assim. O que vai fazer diferença é a quantidade que você está comendo”, ressalta.
Outro alimento frequentemente tratado como proibido é a fritura. Para Adriele, não é necessário transformar o consumo em uma questão de “pode ou não pode”. A frequência e a quantidade são fatores importantes. “Não precisa demonizar a fritura. A gente precisa entender a frequência e a quantidade que está consumindo. Se eu como uma fritura todos os dias, em grande quantidade, é uma coisa. Se eu consumo eventualmente, é outra”, afirma.
Para quem gosta de alimentos fritos, a air fryer pode ser uma alternativa para reduzir o uso de óleo. “A air fryer ajuda bastante nesse sentido, porque você consegue fazer alguns alimentos sem precisar colocar uma quantidade grande de óleo”, esclarece.
O óleo de coco também ganhou espaço entre as opções consideradas mais saudáveis, mas a nutricionista alerta que o alimento não deve ser consumido sem atenção à quantidade. “O óleo de coco é uma gordura saturada. Então não é porque é óleo de coco que eu posso usar à vontade. A gente precisa avaliar a condição daquela pessoa, principalmente se ela já tem alguma questão cardiovascular”, explica.
Segundo Adriele, o azeite pode ser uma opção mais interessante para o uso cotidiano, mas a escolha das fontes de gordura deve levar em conta as características e as necessidades de cada pessoa.
A necessidade de vitaminas e minerais varia de pessoa para pessoa. Por isso, Adriele recomenda que a suplementação seja feita a partir de uma avaliação individual. “Nem todo mundo precisa tomar vitamina. A gente precisa avaliar, fazer exames e entender o que aquela pessoa realmente precisa”, afirma.
A nutricionista também alerta para o risco do consumo sem orientação. “O excesso também pode fazer mal. A pessoa acha que, se uma vitamina faz bem, quanto mais tomar, melhor. E não é assim que funciona”, ressalta.
Produtos como bebidas nutricionais e suplementos alimentares também não devem ser encarados automaticamente como substitutos de refeições. “Não é porque existe um produto que diz que é uma refeição que ele vai substituir uma alimentação de verdade. Sempre que possível, a gente deve priorizar os alimentos”, explica Adriele.
Segundo ela, suplementos podem ser utilizados quando existe indicação, mas a necessidade deve ser avaliada individualmente.
Quando a escolha está entre consumir a fruta inteira ou transformá-la em suco, a fruta pode ser uma opção mais interessante por preservar as fibras e exigir mastigação. “A fruta inteira vai trazer a fibra, vai fazer você mastigar. Quando você transforma em suco, acaba facilitando muito o consumo e, dependendo da quantidade de frutas utilizada, você pode consumir muito mais do que consumiria normalmente”, afirma.
A recomendação, portanto, não é proibir o suco, mas observar a quantidade e a forma de consumo.
As castanhas e outras oleaginosas são alimentos calóricos, mas isso não significa que precisem ser excluídas da alimentação. “As castanhas são muito interessantes nutricionalmente, mas são alimentos bastante calóricos. Então a gente precisa ter cuidado com a quantidade”, afirma.
De acordo com a nutricionista, a porção deve ser adequada às necessidades de cada pessoa.
O carboidrato também costuma ser colocado como vilão nas dietas para emagrecimento. Para Adriele, entretanto, não é necessário eliminar completamente alimentos como pão e arroz. “Não precisa tirar o carboidrato. A gente precisa entender a quantidade e a qualidade desse carboidrato dentro da alimentação”, explica.
Ela destaca ainda que o nutriente tem importância para quem busca manter ou ganhar massa muscular. “Para ganhar massa muscular, não é só proteína. A gente precisa de carboidrato também. Todos os macronutrientes têm sua função”, pontua.
A nutricionista reforça que o principal cuidado é evitar a ideia de que existe um alimento isoladamente responsável pelo ganho ou pela perda de peso. “Não existe alimento que sozinho vai fazer você emagrecer ou engordar. O que importa é o conjunto da alimentação, a quantidade, a frequência e a rotina daquela pessoa”, finaliza.