O jejum intermitente, cada vez mais popular entre pessoas que buscam emagrecimento rápido, pode trazer prejuízos à saúde quando adotado sem orientação profissional. O alerta é do nutricionista Ademir Nomelini, que reforça que a prática não deve ser encarada como regra alimentar nem aplicada indiscriminadamente no dia a dia.
Segundo o especialista, o erro mais comum está em transformar o jejum em um estilo de vida. “O jejum é uma estratégia, e toda estratégia tem começo e fim. O problema é quando a pessoa quer viver de estratégia”, afirmou, em entrevista à Rádio JM.
Nomelini explicou que o jejum pode até ser utilizado em situações muito específicas, como no caso de atletas que precisam perder peso em curto prazo para competições. “Um boxeador, por exemplo, que tem uma luta em 20 dias, pode recorrer ao jejum e até à desidratação para bater o peso. Mas ele faz isso para aquele momento e depois volta para a dieta normal. Ninguém vive de jejum”, destacou.
Para quem adota o jejum com o objetivo de emagrecer, o risco vai além da perda de peso. “Quando você faz jejum prolongado, você perde músculo. E perder músculo deixa o metabolismo mais lento. Isso aumenta muito a chance do chamado efeito rebote, quando a pessoa emagrece e depois engorda ainda mais”, explicou Nomelini.
O nutricionista ressaltou ainda que emagrecer não significa, necessariamente, estar saudável. “O importante é emagrecer preservando a massa muscular, mantendo energia para trabalhar, fazer atividade física e ter qualidade de vida”. Como alternativa mais segura e eficaz, Nomelini defende uma alimentação equilibrada e personalizada. “O melhor caminho para o emagrecimento é uma dieta com déficit calórico adequado para cada pessoa, com refeições fracionadas ao longo do dia. Isso ajuda a emagrecer com saúde”, afirmou.
Ele também chama atenção para modismos alimentares que ganham força nas redes sociais, como o aumento do consumo de ovos associado a dietas milagrosas. “O alimento não é vilão nem mocinho. Tudo depende de contexto, quantidade e orientação. Dieta da moda não substitui um plano alimentar bem-feito”, concluiu o especialista.