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Tragédia em Itumbiara: psicóloga explica como crises viram violência familiar

Especialista diz que ressentimento e necessidade de controle podem alimentar dinâmicas destrutivas

Débora Meira
Publicado em 18/02/2026 às 12:13
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A tragédia registrada em Itumbiara, que resultou na morte de duas crianças e do próprio pai, provocou forte comoção e levantou questionamentos sobre os fatores psicológicos que podem levar alguém a cometer um ato extremo no ambiente familiar. Em entrevista ao programa Pingo do J, a psicóloga psicanalista Ilcéa Borba Marquez explicou que o caso pode ser compreendido como uma agressividade vicária. 

Segundo a especialista, esse tipo de comportamento ocorre quando a pessoa direciona a violência a alguém próximo visando ferir emocionalmente um terceiro. “É quando você agride ou faz algo que, na verdade, quer atingir outra pessoa, que não é o alvo direto da agressão”, afirma. Nesses casos, o ato violento funciona como forma de punição ou vingança simbólica, geralmente associado a sentimentos intensos de rejeição, perda, humilhação ou desejo de controle. 

A psicóloga ressalta que situações de ruptura conjugal podem despertar emoções contraditórias, como amor, frustração e ódio, mas que a incapacidade de elaborar essas emoções de forma saudável pode levar a fantasias destrutivas. “O ódio destrói, enquanto o amor preserva. Quando há intenção de causar sofrimento, já não estamos falando de um vínculo afetivo, mas de uma dinâmica marcada por ressentimento e necessidade de retaliação”, explica. 

Conforme Ilcéa, em quadros assim, é comum a construção de narrativas internas distorcidas, nas quais o agressor tenta justificar a própria atitude. Esses pensamentos, muitas vezes alimentados por ideias de posse, honra ou rejeição, não surgem de forma repentina, mas se desenvolvem ao longo do tempo, associados a dificuldades emocionais profundas e à incapacidade de lidar com frustrações. 

Para a especialista, compreender o fenômeno não significa justificar a violência, mas reforçar a importância de olhar para a saúde mental, especialmente em momentos de crise pessoal, separações ou perdas significativas. “São situações em que a pessoa precisa de escuta e acompanhamento antes que pensamentos destrutivos ganhem força”, pontua. 

A especialista reforça que buscar ajuda psicológica em momentos de crise não deve ser visto como sinal de fraqueza, mas como uma forma de proteção. “Todos nós atravessamos situações de ruptura e sofrimento. O que faz a diferença é ter espaço para falar, ser escutado e ressignificar essas emoções antes que elas tomem um caminho trágico”, conclui.

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