DESAFIOS

Chuvas e falta de mão de obra pressionam produção de hortifruti na região de Uberaba

Horvagra aponta perdas por excesso de umidade, mas diz que oferta e preços ainda não tiveram disparada

Débora Meira
Publicado em 15/02/2026 às 15:13
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O excesso de umidade aliado à falta de mão de obra no campo tem impactado diretamente a produção (Foto/Divulgação)

O excesso de umidade aliado à falta de mão de obra no campo tem impactado diretamente a produção (Foto/Divulgação)

O período chuvoso traz desafios extras para os produtores de hortifruti, afetando desde o desenvolvimento das lavouras até a conservação dos alimentos após a colheita. Segundo o presidente da Horvagra, Sérgio Nepomuceno, o excesso de umidade aliado à falta de mão de obra no campo tem impactado diretamente a produção. 

De acordo com Nepomuceno, as chuvas constantes dificultam o manejo das culturas e favorecem problemas sanitários. “A dificuldade de produção aumenta devido ao excesso de umidade. As frutas tendem a ter putrefação mais rápida devido à proliferação de fungos, e as verduras podem ter a floração abortada”, explica. Ele destaca que as folhosas estão entre as mais prejudicadas, já que a principal dificuldade é manter o tempo vegetativo saudável. 

As hortaliças de folhas, como alface e couve, apresentam maior grau de sensibilidade nesse cenário. O presidente ressalta que a região ainda não tem tradição ampla no cultivo protegido, realizado em estufas, e mesmo as áreas cobertas enfrentam entraves. “As culturas protegidas também têm dificuldade devido à formação de microclima, que aumenta ainda mais a umidade”, afirma. 

Embora perdas já sejam registradas, ainda não é possível dimensionar com precisão os prejuízos. “Perdas sempre há, e com a projeção climática atual a tendência é que elas aumentem, mas ainda não há uma estimativa exata”, diz. Ele observa que, graças à tecnologia e à logística, parte do abastecimento consegue ser reorganizada com produtos vindos de outras localidades, reduzindo impactos imediatos na oferta. 

Até o momento, não há redução claramente mensurável de itens disponíveis ao consumidor, e os preços seguem com oscilações, mas sem disparadas. “Há variação, porém os preços ainda têm tendência ao equilíbrio, muito influenciados pelo baixo consumo”, avalia. Segundo ele, a instabilidade econômica também interfere no mercado, criando o que define como um falso equilíbrio entre oferta e demanda. 

Sobre a comparação com o ano passado, Nepomuceno considera que o cenário atual permanece dentro dessa mesma condição de instabilidade, enquanto as previsões climáticas ainda são divergentes. “Alguns meteorologistas falam em diminuição das chuvas, outros em estabilidade. Temos períodos de chuva e de sol, mas a tendência é que vá diminuindo”, projeta. 

Diante desse quadro, a principal orientação ao consumidor é priorizar alimentos da estação. “A melhor opção é escolher variedades da época e consultar o calendário de sazonalidade”, recomenda, destacando que essa escolha costuma garantir melhor qualidade, maior oferta e preços mais acessíveis mesmo em períodos de clima irregular. 

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