Após denúncia de atraso no pagamento de salários e benefícios de motoristas do transporte coletivo em Uberaba, a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Transube) atribuiu a situação ao desequilíbrio financeiro do sistema que, em 2025, já ultrapassam R$4 milhões. A Prefeitura de Uberaba, por sua vez, alega que os repasses foram realizados conforme a lei e que o pedido de reajuste da tarifa técnica está em análise.
Ao Jornal da Manhã, a Transube explicou que a diferença entre a tarifa paga pelos usuários e a tarifa técnica municipal tem causado déficits recorrentes, já que “o valor aportado é inferior ao necessário, acumulando prejuízos ao longo do tempo”, o que culminou no atraso dos pagamentos. A concessionária comparou a situação com Uberlândia, onde o custo real do sistema é parcialmente coberto por subsídios, mantendo a tarifa ao usuário em R$5,70, enquanto a tarifa técnica é de R$9,40.
Em Uberaba, segundo a Transube, há apenas um pedido formal em andamento: o reajuste da tarifa técnica para R$9,29, protocolado na Prefeitura em 5 de dezembro de 2025. A entidade informou que, até o momento, não há outra negociação em curso para minimizar o impacto do déficit.
Em resposta, a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) esclareceu que a última parcela do subsídio referente a 2025 foi paga em 15 de dezembro, conforme a Lei nº 14.373/2025, destinada a cobrir gastos operacionais, como combustível, manutenção e pessoal. Já o pedido de reajuste da tarifa técnica está em análise pelo corpo técnico da secretaria e, após a conclusão, será submetido à apreciação da Câmara Municipal.
O atraso no pagamento de salários e da segunda parcela do 13º salário foi denunciado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano (Sintracol) na tarde desta sexta-feira (9). Segundo o presidente, Roberto Alexandre Vieira, os valores foram quitados fora do prazo previsto em convenção coletiva, afetando mais de 200 trabalhadores. Apesar da regularização, o sindicato segue em estado de alerta e não descarta mobilização em caso de novos atrasos.
Crise no transporte coletivo
A situação econômica do transporte coletivo em Uberaba reflete problemas observados em outras cidades do país: déficit financeiro crônico, insuficiência de subsídios e perda de passageiros criam um ciclo difícil de reverter. Especialistas alertam que, quando a tarifa paga pelos usuários fica muito abaixo do custo real de operação, o sistema se torna insustentável sem aporte público consistente.
Além disso, a redução do uso do ônibus coletivo, em parte pela preferência por transporte individual, impacta diretamente a receita das empresas e aumenta a dependência de subsídios municipais. Estudos nacionais mostram que sistemas que não equilibram custos, tarifas e volume de passageiros enfrentam déficits maiores, afetando desde a prestação do serviço até o pagamento pontual de salários, cenário que, em Uberaba, já resultou em atrasos anteriores e chegou a motivar ameaça de greve dos motoristas no segundo semestre de 2025, posteriormente evitada após acordo entre empresas, sindicato e Prefeitura.