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Do brinde ao alerta: quando o álcool deixa de ser social e vira dependência

Irritabilidade, aumento de dose e uso para aliviar ansiedade estão entre os sinais citados por especialistas

Débora Meira
Publicado em 22/02/2026 às 15:44
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Outros sinais comuns incluem irritabilidade ao tentar reduzir, necessidade de doses maiores e uso do álcool para aliviar estresse, ansiedade ou insônia (Foto/Divulgação)

Outros sinais comuns incluem irritabilidade ao tentar reduzir, necessidade de doses maiores e uso do álcool para aliviar estresse, ansiedade ou insônia (Foto/Divulgação)

O consumo de álcool, muitas vezes normalizado em encontros sociais, pode evoluir de forma silenciosa para um quadro de dependência e adoecimento. Segundo o psiquiatra Fauze Sadalah, o principal sinal de alerta é a perda de controle. Outros sinais comuns incluem irritabilidade ao tentar reduzir, necessidade de doses maiores e uso do álcool para aliviar estresse, ansiedade ou insônia. 

O diagnóstico do alcoolismo é clínico e individualizado. “Não existem exames que confirmam a dependência. Avaliamos o padrão de uso ao longo do tempo, os prejuízos causados, as tentativas de parar e o impacto emocional e social”, explica Sadalah. Ele destaca que o tratamento é multiprofissional e personalizado: no caso do álcool, pode envolver psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico, intervenções motivacionais e, quando indicado, medicações que reduzem o desejo de beber ou ajudam a manter a abstinência. 

Segundo o especialista, a maior dificuldade enfrentada pelos pacientes é aceitar que a dependência é um problema de saúde e não uma falha de caráter. “Muitos tentam resolver sozinhos, sentem vergonha de pedir ajuda ou subestimam o impacto do uso. Compreender que o tratamento é um processo, e não um evento, torna o caminho mais viável”, afirma. Estratégias como reorganização da rotina, sono adequado, alimentação equilibrada, atividade física e apoio emocional ajudam a prevenir recaídas. 

O psicólogo Sérgio Marçal reforça que o alcoolismo se caracteriza pelo impacto funcional na vida cotidiana, mais do que pela quantidade ingerida. “O consumo passa a ser preocupante quando há prejuízos nas atividades de vida diária, alterações de humor, na saúde física, no trabalho e nas relações”, observa. 

Para familiares, a orientação é oferecer apoio e escuta, sem julgamentos ou confrontos diretos. “Mostrar que existem tratamentos e que há possibilidade de melhora faz diferença. O acompanhamento profissional atua no reconhecimento do problema, na redução gradual do consumo e na compreensão das causas emocionais associadas ao uso do álcool”, acrescenta Marçal. 

Apesar de ser uma dependência com componentes neuroquímicos, a recuperação é possível. Com suporte adequado, reconstrução de hábitos e participação da rede de apoio, a pessoa pode retomar habilidades, reorganizar a vida e reconstruir vínculos. 

Onde encontrar ajuda 

Em Uberaba, o atendimento pode ser buscado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas). Também há suporte em instituições especializadas, como a Clínica de Recuperação Salvar e a Clínica de Recuperação Viver, que realizam atendimentos voluntários e involuntários conforme a necessidade de cada paciente.

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