Danyela Gerolin afirma que não jantar à noite não é solução para emagrecer e destaca que o horário da refeição, a qualidade dos alimentos e a forma correta de fazer o jejum são decisivos para o metabolismo, o descanso e a saúde hormonal

Nosso organismo foi feito para a gente jantar até 19h, no máximo 20h (Foto/Divulgação)
Deixar de jantar para não engordar é um mito e pode, inclusive, prejudicar o sono, o metabolismo e o equilíbrio hormonal. O esclarecimento é da nutricionista Danyela Gerolin, que explica que o problema não está em fazer ou não a última refeição do dia, mas no horário do jantar, na qualidade dos alimentos consumidos e na forma correta de realizar o jejum. Segundo a especialista, jejuns mal-conduzidos e refeições inadequadas à noite podem comprometer a digestão, o descanso e até favorecer o ganho de peso.
Em entrevista à Rádio JM, a nutricionista explicou que não jantar não é sinônimo de emagrecimento. Para ela, mais importante do que excluir a refeição é respeitar o horário adequado. “Nosso organismo foi feito para a gente jantar até 19h, no máximo 20h. Depois disso, já começamos a prejudicar a produção do hormônio do sono. E precisa ter uma proteína, de preferência magra, porque já estamos próximo do horário de sono”, explicou.
Segundo Gerolin, ao jantar tarde, o corpo precisa produzir insulina para lidar com os alimentos justamente no momento em que deveria priorizar a produção hormonal ligada ao descanso. “A partir das 20h, a gente começa a produzir o hormônio do sono. Se eu janto nesse horário, esse hormônio precisa ‘esperar’, porque o organismo vai ter que digerir e absorver o alimento. Isso atrapalha o sono”, ressaltou.
Sobre o jejum, a nutricionista explicou que ele pode ser benéfico, desde que feito de forma correta. “Jejum não é ficar sem comer e depois comer qualquer coisa. Não é parar de comer à noite e quebrar o jejum com bolo de chocolate. O problema não é quebrar o jejum, é como você quebra”, alertou. Ela afirmou que jejuns de 12 a 16 horas podem ser positivos, desde que o organismo continue sendo nutrido. “Eu jantei às 20h e vou comer no outro dia às 8h. Nesse período, eu posso tomar água, chá, fazer a água de jejum e o shot. Então eu não fico sem nutrir o corpo”, explicou. Entre as opções citadas estão shots com cúrcuma, gengibre, spirulina e outros fitoquímicos.
Para quem substitui o jantar por lanche, o alerta é avaliar o que está sendo consumido. Como exemplo, Gerolin citou versões mais equilibradas. “Uma pizza feita com farinha de aveia, frango, mussarela, tomate e manjericão é um excelente jantar. Agora, farinha de trigo à noite, não. Às vezes a pessoa come pão de manhã, biscoito à tarde e pão ou massa à noite. A farinha de trigo aparece o tempo todo”, observou, ao chamar a atenção para o excesso de glúten.
Para quem tem rotina corrida, a nutricionista sugeriu alternativas práticas. “Hoje existem legumes congelados, quinoa pronta, frango desfiado, atum, macarrão sem glúten de farinha de arroz. Dá para montar um jantar rápido, com proteína e legumes, sem complicação”, concluiu.