CONSCIENTIZAÇÃO

Fevereiro Roxo: reumatologista explica sinais do lúpus e alerta para gatilhos como sol e tabagismo

Doença autoimune afeta mais mulheres entre 15 e 45 anos e pode ser controlada com acompanhamento regular

Débora Meira
Publicado em 22/02/2026 às 15:28
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Doença autoimune afeta mais mulheres entre 15 e 45 anos e pode ser controlada com acompanhamento regular (Foto/Divulgação)

Doença autoimune afeta mais mulheres entre 15 e 45 anos e pode ser controlada com acompanhamento regular (Foto/Divulgação)

O Fevereiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre doenças crônicas, chama atenção para o lúpus, uma enfermidade autoimune e inflamatória em que o sistema imunológico passa a atacar o próprio organismo. À Rádio JM, a reumatologista Gabriella Krüger explica que a doença ocorre quando as células de defesa deixam de reconhecer o que é externo e passam a reagir contra tecidos saudáveis. 

Segundo a médica, o lúpus é uma doença crônica, ainda sem cura, e resulta da combinação de fatores genéticos e ambientais. “Pessoas com histórico familiar de doenças imunomediadas apresentam maior risco de desenvolver o problema. Além disso, fatores hormonais influenciam diretamente na incidência, explicando a predominância entre mulheres, principalmente entre 15 e 45 anos”, afirma. 

A especialista ressalta que a radiação ultravioleta é um dos principais gatilhos ambientais, além do tabagismo e da poluição. “No Brasil há grande exposição ao sol e pouca prevenção. A proteção solar adequada é parte essencial do cuidado com o paciente”, pontua. 

Conforme Gabriella, os sintomas iniciais costumam surgir de forma lenta e inespecífica, o que pode atrasar o diagnóstico. Entre os sinais mais comuns estão cansaço excessivo, febre baixa no fim do dia, perda de peso involuntária, sudorese noturna e aumento de gânglios. Também são frequentes dores articulares, rigidez pela manhã e inchaço nas articulações. 

A médica alerta que uma manifestação característica é a lesão malar, vermelhidão persistente nas bochechas e no nariz, que pode causar ardor e não desaparece como uma simples reação ao sol. Alterações em exames básicos, como anemia, queda de leucócitos ou presença de proteína na urina, também podem indicar a necessidade de investigação. 

Embora não tenha cura, o lúpus pode ser controlado com tratamento e acompanhamento contínuo. “Após o diagnóstico, o paciente precisa de seguimento regular. Quando está estável, o retorno ocorre a cada três meses; em fases de atividade, o acompanhamento pode ser mais frequente”, explica a reumatologista. 

O monitoramento é essencial para evitar o comprometimento de órgãos importantes, como rins, cérebro, sistema nervoso, fígado e coração. Exames laboratoriais periódicos ajudam a identificar alterações precocemente e orientar ajustes terapêuticos. 

Além da medicação, mudanças no estilo de vida fazem parte do tratamento. O uso diário de protetor solar, o abandono do tabagismo, a alimentação equilibrada, o controle do peso e a prática de atividade física são medidas fundamentais para reduzir crises e inflamações. Entre os medicamentos utilizados, a hidroxicloroquina é considerada a base do controle da doença. 

A médica reforça que a informação é uma das principais aliadas no enfrentamento do lúpus. “Quanto mais cedo identificarmos os sinais e iniciarmos o acompanhamento, maiores são as chances de manter a doença controlada e preservar a qualidade de vida”, conclui. 

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