EXPERIÊNCIA HUMANA

Sedentarismo e maus hábitos impulsionam dores crônicas, alerta especialista

Reumatologista destaca que atividade física desde a infância é essencial para reduzir dores na vida adulta e na velhice

Dandara Aveiro
Publicado em 22/02/2026 às 15:40
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É possível envelhecer com menos dor, desde que haja mudanças no estilo de vida e atenção integral à saúde física e emocional (Foto/Divulgação)

É possível envelhecer com menos dor, desde que haja mudanças no estilo de vida e atenção integral à saúde física e emocional (Foto/Divulgação)

A dor faz parte da experiência humana e acompanha todas as fases da vida, do crescimento à velhice. No entanto, o aumento das queixas com o passar dos anos não deve ser encarado como algo inevitável ou sem solução. Segundo a reumatologista Gabriella Kruger, é possível envelhecer com menos dor, desde que haja mudanças no estilo de vida e atenção integral à saúde física e emocional.  

Em entrevista à Rádio JM, Kruger destacou que reconhecer a dor como parte da vida é o primeiro passo para lidar melhor com ela. “A primeira coisa que a gente precisa entender é que a dor é inerente a quem está vivo”, afirmou. A reumatologista explica que essa percepção começa ainda na infância, especialmente durante o estirão de crescimento. “Existe a dor de crescimento. Não é falácia, é real. Então, primeiramente, é aceitar que uma dorzinha ou outra a gente vai ter”, disse.  

Apesar disso, Kruger ressalta que o cenário atual favorece o surgimento de dores contínuas. O sedentarismo, cada vez mais comum, compromete a estrutura física ao longo dos anos. “Nosso corpo foi feito para subir em árvore, correr, agachar, levantar. A gente foi feito para ser uma máquina que precisa ser lubrificada todos os dias”, afirmou. Segundo ela, o problema começa quando o corpo deixa de ser estimulado. Longos períodos sentados, alimentação inadequada — rica em carboidratos e pobre em proteínas e cálcio —, pouca exposição ao sol e ausência de atividade física reduzem a reserva muscular ao longo da vida.   

A falta de musculatura adequada sobrecarrega articulações, tendões e ossos, favorecendo o surgimento de doenças como tendinites, bursites, artroses e dores crônicas. “Quando não temos uma prática rotineira de exercício físico, evoluímos para as ‘ites’ e as ‘troses’, que são as doenças degenerativas”, explica. Por isso, para a reumatologista, a prevenção deve começar cedo. “A atividade física precisa existir desde sempre. Para o bebê, é essencial para a motricidade. Para a criança e o adolescente, especialmente no estirão de crescimento, melhora a qualidade óssea”, destaca.   

Kruger também chama atenção para a importância de tirar crianças e adolescentes da frente das telas, incentivando exercícios e exposição moderada ao sol. “O sol tem seus riscos, como o fotoenvelhecimento e o câncer de pele, mas ele também é importante. E a atividade física é essencial”, destacou.  

Quando alterações musculares e articulares já estão instaladas, como artroses e problemas na coluna, o exercício continua sendo importante, mas precisa vir acompanhado de reabilitação. Nesse processo, o trabalho conjunto entre médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e educador físico é fundamental. “O fisioterapeuta ajuda a recuperar a função e a orientar o paciente para voltar a se movimentar com segurança”, disse Kruger.  

A médica reforçou ainda que a dor não é apenas física. Em casos como a fibromialgia, não há alterações estruturais que expliquem os sintomas. “A fibromialgia é muito mais uma dor emocional do que física. Por isso o tratamento é tão complexo”, afirma. Segundo ela, trata-se de um diagnóstico sindrômico, que exige atuação conjunta de vários profissionais e, principalmente, do próprio paciente. “Eu brinco que 60% do tratamento é o paciente e 40% todos os outros profissionais”, comentou.  

O tratamento da dor, segundo a médica, deve priorizar abordagens não farmacológicas. Alimentação adequada, atividade física, psicoterapia e cuidado com a saúde emocional são pilares fundamentais. Os medicamentos, por sua vez, devem ser vistos apenas como apoio temporário. “O remédio é uma bengala, uma muleta. Ele serve para o paciente conseguir engatar nas outras mudanças”, explica. Por fim, entender o significado da dor é parte do processo. “Todos nós vamos ter dor. A questão é o que essa dor representa e como a gente lida com ela”, concluiu. 

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