INVIÁVEL

Mãe denuncia falta de professor de apoio para filhos autistas em escolas públicas

Ela relata ausência de acompanhamento em 2025 e demora neste ano; SRE orienta comparecimento e Prefeitura diz que vai avaliar o caso

Débora Meira
Publicado em 15/02/2026 às 15:06
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Ela detalhou que, sem professor de apoio, a permanência do filho mais velho em sala de aula no ano passado foi inviável (Foto/Divulgação)

Uma mãe de duas crianças autistas denunciou à Rádio JM a falta de professor de apoio nas escolas públicas de Uberaba, comprometendo o acesso à educação e o acompanhamento especializado de seus filhos. Segundo a denunciante, no ano letivo de 2025, seu filho de nove anos, autista nível 3 de suporte e com outras comorbidades, permaneceu sem professor de apoio na Escola Municipal Adolfo Bezerra de Menezes. Já este ano, seu filho de seis anos, autista nível 2 em progressão para nível 3, ingressou na Escola Estadual América e só teria acompanhamento do profissional após duas semanas. 

A mãe relatou dificuldades para matricular os filhos na escola mais próxima de sua residência, localizada na região do bairro Nossa Senhora do Abadia. “Inicialmente, realizei a pré-inscrição de meus dois filhos para a Escola América. Quando as vagas foram divulgadas, apenas um deles foi contemplado. Resido na região da Abadia e a Escola América é a mais próxima da minha residência, impossibilitando, por questões financeiras e logísticas, que meus filhos frequentem escolas mais distantes, pois não disponho de recursos para o transporte escolar, nem de condições de acompanhá-los em horários distintos”, ressalta. 

Ela detalhou que, sem professor de apoio, a permanência do filho mais velho em sala de aula no ano passado foi inviável. “No ano passado, precisei acompanhá-lo em sala de aula durante todo o período letivo, devido à ausência de professor de apoio. A diretora da escola informou que, apesar de um processo seletivo realizado, não houve contratação de profissionais para essa função, em junho e julho”, afirma. 

O filho mais novo, que apresenta problemas de saúde como cardiopatia, baixa visão e transtorno obsessivo-compulsivo severo, também enfrenta dificuldades. “Meu filho menor precisa de acompanhamento integral na escola, uma vez que não aceita permanecer em sala de aula sem a minha presença”, acrescenta. 

A mãe também relatou problemas no sistema de matrícula da rede estadual, que travou no momento de finalizar a inscrição do filho no quarto ano, impossibilitando a confirmação da vaga na Escola América.  

A mulher, então, está sem saber a quem recorrer. “Busquei auxílio na Secretaria Municipal de Educação, mas não obtive retorno. O Conselho Tutelar enviou um ofício ao Ministério Público, mas ainda não recebi resposta”, disse. 

Procurada pelo Jornal da Manhã, a Superintendência Regional de Ensino (SRE), responsável pelas escolas estaduais, informou que a mãe deve comparecer à superintendência. “Favor solicitar à mãe que compareça à SRE para podermos verificar no sistema a razão do não encaminhamento do irmão e como está a solicitação do professor de apoio, pois precisamos do laudo da criança para montar o processo e fazer a autorização. O aluno entrou na rede estadual este ano, se fosse continuidade, não seria necessária nova autorização”, destaca. 

A Prefeitura informou que irá analisar o caso. “O Centro de Referência em Educação Inclusiva (Crei) fará a avaliação sobre a necessidade pedagógica do professor de apoio e manterá contato com os responsáveis para possíveis encaminhamentos”, finaliza em nota. 

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