
Nutricionista Danyela Gerolin pondera que o congelamento pode ser aliado da praticidade, desde que haja cuidado com rótulos, preparo e armazenamento dos alimentos (Foto/Divulgação)
A correria do dia a dia tem levado cada vez mais pessoas a recorrerem às marmitas congeladas como alternativa prática para manter a alimentação rápida e saudável. Segundo a nutricionista Danyela Gerolin, essa pode ser uma boa estratégia, desde que haja atenção à qualidade dos alimentos e à forma correta de preparo e conservação. Para ela, o congelamento não é vilão, mas exige critérios para garantir segurança alimentar e benefícios à saúde.
Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, a profissional explicou que marmitas congeladas feitas por estabelecimentos que preparam refeições na hora costumam ser uma opção mais interessante do que produtos altamente industrializados. Ainda assim, ela reforça que a leitura dos rótulos é indispensável. “Não tem jeito. Quando a gente fala de produto industrializado, precisa olhar a composição”, alertou.
Para auxiliar nessa escolha, Gerolin citou o uso de aplicativos que avaliam a qualidade nutricional dos produtos a partir do código de barras. Segundo ela, essas ferramentas ajudam o consumidor a comparar opções no supermercado e a evitar alimentos ultraprocessados com excesso de conservantes, sódio e aditivos.
Dentro desse contexto de praticidade e conservação dos alimentos, o congelamento do arroz costuma levantar questionamentos. De acordo com Gerolin, o processo não reduz as calorias, mas interfere positivamente no índice glicêmico. “O índice glicêmico diminui. Então, para quem é diabético, é excelente comer arroz congelado”, explicou. A nutricionista reforçou, porém, que a segurança depende da forma e do tempo de armazenamento. “Não podemos esquecer da proliferação de micro-organismos quando o alimento fica muito tempo congelado ou é armazenado de forma inadequada”, alertou.
Para a nutricionista, no geral, congelar alimentos já cozidos, como arroz, feijão, carnes e legumes, não oferece problema quando feito de forma adequada. Por outro lado, ela demonstrou cautela em relação ao congelamento de carnes cruas temperadas. Apesar de ser uma prática comum em receitas divulgadas nas redes sociais, a orientação é não deixar o alimento na geladeira por mais de dois dias.
“Vejo as pessoas temperando carne, fazendo e colocando no freezer. Eu sou receosa com isso. Porque é saudável, mas tem a proliferação de bactérias. Então, essa é uma coisa que eu não oriento para pacientes. Já o cozido é diferente. Você pode deixá-lo na geladeira, se for para usar até dois dias", explicou, ressaltando que prefere métodos mais simples e seguros.
Como alternativa, Gerolin sugeriu preparos rápidos, como carnes feitas na frigideira ou na air fryer, que dispensam congelamento prévio e reduzem riscos. Dessa forma, o principal cuidado está no equilíbrio entre praticidade, qualidade nutricional e segurança alimentar. “Congelar pode ajudar muito na rotina, desde que a gente saiba o que está comendo e como está preparando”, finalizou e especialista.