
Segundo o urologista Marcelo Bianco, a cirurgia robótica traz mais segurança, reduz sangramentos e acelera a recuperação do paciente (Foto/Divulgação)
A chegada da cirurgia robótica a Uberaba representa não apenas tecnologia de ponta, mas também uma mudança na forma como procedimentos complexos são realizados, com mais precisão, menor risco e recuperação mais rápida. A tecnologia já está em funcionamento na cidade, e a primeira cirurgia programada será uma prostatectomia radical no dia 12 de março, retirada total da próstata em paciente com câncer, com foco na preservação da funcionalidade.
Em entrevista ao Pingo do J, o urologista Marcelo Bianco explicou que todas as cirurgias atualmente realizadas por laparoscopia podem migrar para a robótica. Entre as principais estão procedimentos urológicos, como prostatectomias radicais, que preservam nervos e funcionalidade; ressecção parcial de tumores de rim, preservando tecido saudável; cirurgias de bexiga; e procedimentos em testículos, em casos de metástases retroperitoneais.
O especialista destaca também avanços importantes nas cirurgias ginecológicas, principalmente no tratamento da endometriose, condição que pode causar dor intensa, infertilidade e problemas psicológicos. “Na cirurgia robótica, conseguimos tratar a endometriose, retirando a dor e devolvendo a fertilidade para a mulher”, afirma.
A tecnologia também é aplicada no aparelho digestivo, em cirurgias de vesícula, intestino, reto, estômago, fígado, pâncreas e baço, além de áreas de alta complexidade, como a torácica e a cardíaca. “Na cirurgia cardíaca, como a troca de válvulas, antes era necessário abrir todo o peito. Hoje conseguimos fazer três ou quatro pequenos acessos e realizar a troca com auxílio do robô, com muito mais precisão”, detalha Bianco. A ortopedia, a cirurgia plástica e reparadora também se beneficiam da robótica, permitindo procedimentos de alta precisão e menor agressão ao paciente.
O médico reforça que a cirurgia robótica depende de toda a equipe qualificada, incluindo anestesistas, instrumentadores, enfermeiros e a central de esterilização, já que os equipamentos exigem cuidados específicos. Entre os ganhos da tecnologia estão menor sangramento, manipulação reduzida de tecidos, preservação de órgãos e nervos, recuperação mais rápida, especialmente em cirurgias complexas ou em pacientes idosos, e a possibilidade de realizar procedimentos antes considerados mutiladores ou de alto risco.
Já há uma fila de espera, com oito cirurgias marcadas, além de pacientes aguardando avaliação. Para Bianco, a cirurgia robótica é uma evolução natural da Medicina. “Precisamos do cirurgião bem treinado na cirurgia aberta, depois na laparoscopia, e agora damos mais um passo com a robótica. É um avanço tecnológico que traz mais segurança e preserva a funcionalidade dos órgãos. Estamos apenas começando, mas os resultados já mostram o potencial transformador da robótica na medicina”, conclui.