
(Foto/Divulgação)
Considerado uma doença complexa e de difícil diagnóstico, o lúpus tem aparecido com maior frequência nos registros de saúde brasileiros. A reumatologista Gabriella Kruger explica que esse aumento está relacionado, principalmente, à ampliação do acesso a especialistas e aos avanços na avaliação clínica. Em Uberaba, a concentração de reumatologistas contribui para diagnósticos mais precoces, realidade diferente da observada em regiões com menor cobertura médica, como o Norte e o Nordeste do país, de acordo com a médica especialista.
Estudos epidemiológicos recentes estimam que a prevalência do lúpus no Brasil seja de cerca de 52,3 casos por 100 mil habitantes, com variações regionais e maiores taxas observadas no Sudeste e Sul do país. A ocorrência foi crescente nos últimos anos em todas as regiões brasileiras, entre 2008 e 2022, mas permanece desigual de acordo com a disponibilidade de especialistas e acesso à saúde.
Segundo Kruger, em entrevista ao programa Pingo do J, um estudo sobre a prevalência da doença no estado de Minas Gerais apontava que cerca de 0,48% a 0,5% da população poderia ter lúpus, embora esses números sejam anteriores às mudanças recentes nos métodos de diagnóstico. “Nós mudamos muito a nossa avaliação nos últimos anos”, afirmou.
A especialista destacou que parte do aumento dos diagnósticos pode estar ligada, justamente, ao maior número de reumatologistas e à disponibilidade de avaliação clínica adequada. “Vemos em Uberaba um nicho com um número muito grande de reumatologistas. O Sudeste e o Sul têm essa característica de ter uma maior possibilidade de acesso mesmo ao SUS, sendo São Paulo e Paraná os dois estados com maior número de pacientes com lúpus. E tende a aumentar ainda mais”, disse. Para ela, isso favorece um maior número de diagnósticos na região, em relação a lugares com menos especialistas.
Kruger também observou que fatores ambientais e hábitos de vida podem influenciar a ocorrência ou detecção da doença. Mudanças sociais, como maior poluição, exposição frequente ao sol e uso de produtos processados, podem impactar negativamente a saúde em geral. A reumatologista citou o hábito cada vez mais comum de uso de cigarros eletrônicos e narguilé entre jovens como possível fator agravante para patologias crônicas, embora ressalte que não há ainda números conclusivos sobre causa e efeito direto no lúpus.
A médica ainda ressaltou a importância de acompanhar pacientes de forma contínua, especialmente nos casos em que órgãos internos são afetados. A condição sistêmica da doença torna fundamental o monitoramento regular por especialistas para evitar complicações. Embora existam estimativas epidemiológicas e estudos regionais, ainda são observadas lacunas no levantamento de números exatos de casos de lúpus no Brasil, o que reforça a necessidade de investimento em diagnóstico, registro de dados e especialização médica no país e no município.